
1. por que você escreve?
Responder a esta pergunta não é uma tarefa fácil. Sendo indígena-descendente Potiguara (RN), tomo a liberdade de responder com uns versos que eu teci há muitos anos:
ao escrever
dou conta da ancestralidade
do caminho de volta
do meu lugar no mundo
2. para que?
Na medida do possível, escrevo para compreender a diversidade cultural e não perder o ritmo da teia da vida. Dentro das minhas limitações, escrevo na tentativa de contribuir com a luta pelos direitos humanos.
3. o que a levou a começar?
Não dá pra esquecer o momento que gerou em mim a consciência em torno do exercício de escrita. Primeiro veio o espanto misturado à dor e ao pranto diante da violência nas histórias contadas por uma menina judia. Esta é uma das lembranças mais fortes da minha adolescência. Foi o que senti/intui ao ler o Diário de Anne Frank. Achei que ali estava escrito o fim do mundo, que a vida não tinha mais chance de continuar no meio de tanta guerra. Meu pai que era ex-combatente, também falou dos horrores que ele viveu lá em Monte Castelo, na Itália. Posso dizer que Anne Frank contribuiu para a minha iniciação na escrita que eu considero um campo de batalha.
4. quais os prazeres do fazer literário?
Prazeroso é perceber que o universo pode habitar em um pontinho daquilo que escrevemos; prazeroso também é manter-se insatisfeito no mar da escrita.
5. e os desprazeres?
Desprazeres são muitos: a começar pelo preconceito literário no tocante a falta de apoio à literatura indígena e o desrespeito aos direitos autorais.
6. quem habita a estante da sua mente?
Uma multidão de pessoas, nomes e lugares... a começar por Ñanderu (Nosso Pai, em guarani) que invoco sempre e sobretudo agradeço pela alma de cada palavra que me chega ou vai com o vento. A ancestralidade habita os instantes das palavras que escuto, falo e escrevo. Primo pela oralidade, pelos mitos e em papel e tinta, carrego comigo uma série de poetas, pensadores e prosadores que eu amo bastante... Pessoa, Lorca, Bandeira, Drummond, Neruda, Risério, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Luis Jardim, Graciliano Ramos, Quintana e Walter Benjamin, entre outros.
7. se não literatura, o que faria?
...eu concentraria minhas forças para catar\cantar\contar a música do ventre do vento(*), da teia da vida.
(*) ventre do vento - uma expressão poética de Antonio Risério, em Orik Orixá (1996).
...
Graça Graúna: potiguara (RN), poeta, ensaísta, professora universitária. Tem 3 livros publicados e mais um tanto em busca de editor. Como conferencista fala do direito à Literatura Indígena.
...
esta coluna ficou tão interessante que alguns dos meus 7 leitores, com razão, pediram que a periodicidade fosse menor.
a partir de hoje será toda sexta.
confira a primeira com joão tomaz parreira, aqui
Samuca,poetamigo do meu coração. O que posso dizer diante desse carinho que vem de vocÇe, assim, publicamente? Grata por tudo e para sempre. Te amo, te amo e te amo... Só isso.
ResponderExcluirdeixa disso, que eu acabo acreditando...
ResponderExcluirah, fui no teu blog e...
se eu fosse branco estaria ruborizado com aquela declaração pública.
rs
obrigado pelo carinho.
Muito nutritiva e poética a entrevista. Parabés aos dois.
ResponderExcluirAbraços
muito legal mesmo.
ResponderExcluirbeijo.
MESTRA GRAÇA GRAUNA
ResponderExcluirParabéns pelo Trabalho Entrevista com nossa Professora Graça Grauna que tanto nos instrui e nos encanta com suas atividades valorizando Os Humanos e em Especial a Comunidade Indigena.Verdadeira Representante do Amor ao Próximo e da Boa Vontade esta Professora Graça Grauna, faz a gente ter Esprerança na Vida e a acreditar que O Mundo Pode Ser Melhor.
Parabéns Ao Autor e a Grande Mulher .
Homenageada.
É Uma Mulher que Faz a Diferença.
Abração Amigo.
Azuir
Conhecendo melhor uma poeta, que compartilho no Overmundo; e - que honra! -, pelas mãos de outro sábio literato - Samuca -, a quem pouco tenho tido o prazer de receber ultimamente. Que bom reencontrá-lo, meu velho! Parabéns pelo reconhecimento à valorosa Graça Graúna!
ResponderExcluirwan,
ResponderExcluirque grata surpresa, você por aqui!?
é, tô dando um tempo no "overmundo"
mas preparando a volta...
a grauninha é, simplesmente.
abçs