para joy hofnung
existem pessoas que passam pela vida e, mesmo sem tocá-las, somos tocados por elas, profundamente. betinho é uma dessas eternidades. herbert de souza_o irmão do henfil, lembram?, lenda humana pra quem, em todas as cidades do mundo, deveriam ser plantadas e preservadas praças onde crianças pudessem brincar; idosos, descansar; namorados namorar e onde, de repente, surgisse um vendedor de pitombas...
foi por causa do livro a lista de ailce, e por me sentir muito amado e feliz, que decidi não assistir_nem ouvir_ o meu glorioso santa cruz jogar a final do campeonato pernambucano. serve também como um amuleto que ajude a trazer a vitória, merecida, do mais querido...
encontrei-o esperando por mim, no improvisado sebo da guararapes, singela versão de algo como o mercado das pulgas francês, só que de livros usados. formato pequeno, diferenciado dos produtos da companhia das letras_até da coleção de bolso_, tratamento gráfico impecável, papel especial na capa e no miolo, alumbramento destes por meros 4 réis. o vendedor pediu 5, pedi 3, arengamos um pouco e fechamos em 4, uma pequena fortuna para o nego véio que vos tecla... pois bem, de alma leve e ao mesmo tempo inquieta, ansiosa, espero chegar o busão pra sentar, tirar os óculos e degustar meu (por enquanto) precioso doce. betinho fala com delicadeza e ternura de conhecidos mortos na sua bocaiúva natal, minas, enumerados_a seu pedido_, pela prima ailce: "Compadre, agora não tem caqui, quando tiver mandarei."
Lia, filha de Genesco, foiu mina noiva com dezenove anosela, eu com cinco anos. Namorava minha noiva em Ribeirão das Neves, no colo dela. Um alumbramento. Uma mulher linda, doce, suave, lisa, um encanto sem limites para minha idade. Tirei fotos, sonhei com a felicidade eterna quando tinha apenas cinco anos! Lia acabou nosso noivado quando apoareceu Pedro, que se casou com ela e me roubou minha primeira noiva, meu primeiro amor. Por tudo isso ele deve estar no purgatório e ela no céu. Foi preciso mais de seis anos de Lacan com Nasar para descobrir que lia era na verdade minha mãe. Por isso o namoro foi tão bom.
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Segundo Ailce, Alaíde morreu em meio a grandes sofrimentos e desenganos, como sempre havia vivido. Nem vale a pena lembrar para não se ficar triste. A morte pode ser diferente, não precisa ter sempre esse peso, esse carma. Morrer é o ato mais simples da natureza, pode vir sem esses acompanhamentos desnecessários.
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O Senhor do Bonfim não está na lista de Ailce, mas, segundo consta, também morreu para nos salvar, só não sabemos ainda é se conseguiu.
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delícias! suntuosas delícias! como o cara conseguia tratar de tema tão embaraçoso, pra muitos de nós, com tão leve mão. todos sabemos da sua luta contra a dita...
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geneton moras neto tem uma entrevista com betinho, aqui
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serviço:
o diário de ailce
herbert de souza (betinho)
editora schwarcz (companhia das letras)
são paulo, 1996

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